terça-feira, 24 de novembro de 2020

É pequena

 A vida é pequena,

Quando a vontade de viver for imensa.

O viver é pequeno,

Quando não se entende a grandeza da vida.


O tempo é pequeno,

Quando a importância de ser não for entendida.

O ser é pequeno,

Quando vive na ilusória grandeza da banalidade.


O existir é pequeno,

Quando se faz de cada desejo um lugar de nada.

O desejo é pequeno,

Quando os sonhos são esquecidos pela estrada.


O sonho é pequeno,

Quando não for plenamente o bastante para ser realizado.

O real é pequeno,

Quando a sua dimensão não alcança o objetivo da vida.


A insistência é pequena,

Quando o sentido nela for quase nulo ou insignificante.

A força de viver é pequena,

Quando todas as fraquezas forem sutilmente escondidas.


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



terça-feira, 17 de novembro de 2020

Estranha

 Você está estranha,

Como fogo em lenha.

Está cheia de manha,

Como isso se assanha.


Você é feita aranha,

Na sua teia nos embrenha.

Para com garra e unha,

Prender sem medo e resenha.


Você sabe que ganha,

Não precisa de senha.

Meu peito já apanha,

Na pendenga penha.


Você já chama, venha!

Me pondo logo na linha.

Para que eu a ti, tenha.

Antes você já me tinha.


Você logo se empenha,

Em me domar, boazinha.

Pois já sou eu azenha,

Desta linda danadinha.


Você sendo estranha,

Já logo me atenha.

Seu jeito me maranha,

Em ti me mantenha.


Você é uma façanha,

Nesta vida minha.

Pois com artimanha,

Já me adivinha.


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



terça-feira, 10 de novembro de 2020

Aonde eu estou?

Estou sei lá, quem sabe por aí perdido.

Estou talvez, num banco qualquer de uma praça.

Estou a ver, os astros sem sentido.

Estou na ternura de uma dama, meio sem graça.


Estou quem sabe, por aí caído.

Estou numa grama qualquer de um pedaço.

Estou talvez a plantear calado.

Estou vai ver, contando estrelas no espaço.


Estou a sofrer em silencio por um amor perdido.

Estou a gastar lágrimas, ao nada, ao léu.

Estou a relutar por este amor ingrato e bandido.

Estou a comtemplar sozinho o vasto Céu.


Estou quem sabe, por alguém aqui esperando.

Estou talvez, no calor do colo de uma profana.

Estou já a pensar que não estou sonhando.

Estou a querer dormir no colo daquela insana.


Estou num quarto qualquer numa cama,

Estou a esperar a mulher que ama.

Estou a ouvir uma voz que já me chama,

Estou naquele fogo que queima.


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



domingo, 1 de novembro de 2020

Às vezes

 


As vezes não basta ter,

Mas é preciso antes ser...

É... Não basta só querer,

Antes é preciso entender...


As vezes precisamos fazer,

Para produzir já o crer...

É... Não é só o querer,

Temos também sentir e viver...


As vezes não basta escolher,

Mas é preciso antes de tudo esclarecer...

É... Não é somente colher,

Antes tem que plantar para ver crescer...


As vezes não basta esquecer,

Mas é preciso dominar a arte do esconder...

É... Não se trata de endurecer,

Mas de simplesmente saber logo se defender...


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



domingo, 25 de outubro de 2020

A fumaça da ganancia

 A fumaça inesperada que nos acordam do nada,

Furta o ar pela madrugada dos nossos pulmões.

Por conta do ego desmata e mata nas queimadas,

Na conta ficam a títulos guardados os milhões.


A massa que nos hospitais sem ar morrem,

Com a vida pagam, os brindar da corrupção.

Na festa chega dessa imunda politicagem,

Tudo não passa somente de mera perseguição.


E as matas morrem,

E os ricos ganham.

E os bichos morrem,

E os ricos ganham.


A fauna sem ter para onde ir agoniza,

Vai lentamente sendo consumida pelas labaredas.

Restando tão somente no solo as cinzas,

E os latifundiários se escondem nas suas torradas.


A flora se evapora enfumaçando a nossa cidade,

Sendo destruída as cores e os perfumes das matas.

Escondendo os barões o seu orgulho em maldade,

Não se importando com as vidas, mas com as metas.


E os bichos morrem,

E a besta homem rir.

E os arvoredos morrem,

E a besta homem rir.


A terra geme cuspindo o fogo que a queima,

Destruindo do seu seio a vida que logo brotaria.

Mas a ganancia fora tamanha que a esgrima,

Deixando o que antes era belo, triste sem alegria.


A chuva é cessada com a não produção da fotossíntese,

Com a evaporação da umidade formando nuvem carregada.

Mas com o fogo destruindo o nosso cintilante verde,

Só nos resta sofrer as consequências da vida aí devastada.


E os rios logo secam,

E os covardes forjem.

E os peixes acabam,

E os covardes fingem.


As etnias indígenas que dependem da flora e fauna,

Sofrem com essa devastação provocada pelos egoístas.

Pois é destes dois componentes do nosso rico bioma,

Que os indígenas sobrevivem e mantem suas culturas.


A ganancia humana é o pior de todos os venenos,

Pois ela mata tanto imediatamente como lentamente.

Tudo pela ilusória fortuna, desfaz os feitos de anos,

Mas, um dia os que provocam este mal de si lamente


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 19 de outubro de 2020

A chuva vai caindo

 A chuva vai caindo,

O coração chorando.

O Sono vai surgindo,

Os olhos se fechando.


Vai a chuva caindo,

O pensar adormecendo.

O corpo se diluindo,

Na madrugada cedendo.


A chuva vai tinindo,

As horas vão passando.

O calor vai sumindo,

O clima se refrescando.


Vai a chuva se indo,

O dia logo chegando.

O sol já vem vindo,

A lua se aconchegando.


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Corderlando

 O amigo que abriu a porta,

És das letras um vil relicário.

Sei que muito se importa,

Com as regras do dicionário.

Porém, é por linha torta,

Em pequeno sutil falatório.

Que a vida se desentorta,

Com todo nosso comentário.

 

Mas eu em rimas ou não,

A minha sorte vou gritando.

Segurando aqui na mão,

Dos que logo vem chegando.

Aqui não cobro erudição,

Para que ficar aí, chocando.

É melhor o ajudar irmão,

A sair por aí, se cutucando.

 

Mas a preocupação eu entendo,

Sei que precisamos evoluir.

Porém, não nascemos sabendo,

Deixe o sentir aqui fluir.

Vamos a história escrevendo,

Sem nos permitir diluir.

Vamos em versos crescendo,

Produzindo já o influir.

 

Deixe que cada um exista,

Nas virgulas ou nas rimas.

Deixe que a palavra persista,

Nas retinas ás suas formas.

Deixe que o poeta resista,

Assim na arte eles se firmas.

Deixe que vivo se recita,

No amor a vida nas estimas.

 

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



domingo, 4 de outubro de 2020

A falta

 O que é fazer falta?


Fazer falta.

É ter a certeza que para alguém,

Você importa.

A todos e qualquer instante que tem.


O que é sentir falta? 

Sentir falta.

É destinar a todo tempo que se tem,

Que te resta.

Com pensamento de querer se bem.

 

O que é viver a falta?

 

Viver a falta,

É ficar inquieto querendo estar perto.

Ah essa falta,

É loucura é verdade no peito o aperto.

 

O que é chorar com falta?

 

Chorar com falta,

É deixar se derramar a ausência.

Na saudade nata,

Molhando de lágrimas a carência.


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 28 de setembro de 2020

As ironias

Eu gosto de tu,

E tu gosta de outro.

Eu só vejo tu,

E tu só ver o outro.

 

Você me despreza,

Por causa deles.

E eu a elas desprezo,

Por causa de você.

 

Enquanto só penso em ti,

Seus pensamentos são deles.

Enquanto só grito por ti,

Sua voz, chamam por eles.

 

O meu desejo arde e quer só você,

Mas a sua vontade são eles.

Elas me gritam quando quero você,

Mas a sua realidade são eles.

 

Dedico os meus versos somente a ti,

Porém, seus dias são deles.

Meus cantos de amor só são por ti.

Mas por ironias você é deles.

 

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.




segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Meu dedão do pé esquerdo

 O dedão do meu pé esquerdo


Ele é a minha voz na arte de escrever,

Ele é as minhas asas neste Céu obscuro.

Ele é a minha forma mais viva de ser,

Ele é a minha arte neste quadro escuro.


Com o dedão do meu pé esquerdo


Eu aqui e acolá é que me insiro,

Eu com raciocino me posiciono.

Eu faço não tudo, mas me viro,

Eu vou construindo meu destino.


O dedão do meu pé esquerdo


Ele nessa minha existência me revela,

Ele nessa vida não me exclui dela.

Ele na minha força de viver é passarela,

Ele nas lutas por ser me faz dela.


Com o dedão do meu pé esquerdo


Eu posso ser neste mundo trancado livre,

Eu vou apesar dos externados egos alheios existindo.

Eu busco o meu lugar neste universo pobre,

Eu vou letra por letra com o meu dedão já digitando.


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Aldravia de 10 - Eu

Eu

 

Sempre,

Vou.

Não,

Desisto.

Vou...

Nada,

Impede.

Quando,

Tudo.

Quero...

 

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Corra

Corra,

Corra de mim ai meu bem.

Corra,

Corra que eu vou também.

 

Corra,

Corra vá e pode seguir em paz.

Corra,

Corra pois amar não foi capaz.

 

Corra,

Corra e vá logo embora.

Corra,

Corra deixe aqui agora.

 

Corra,

Corra desejo-te, encontre seu caminho.

Corra,

Corra que agora perdesse meu carinho.

 

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 31 de agosto de 2020

As minhas rimas

 Aqui as minhas rimas,

Não as separo sem sina.

Nem as defino em silabas,

É no sentir que a atina.


Assim sem esquema,

Dou vida a rima.

Faço delas cama,

No fogo que queima.


Ainda que elas sejam brancas,

Minhas rimas são ricas.

Nelas eu deixo minhas broncas,

Vou deixando as dicas.


Aqui essa minha poética,

Vai aos poucos se definindo.

Na minha rima estética,

E seu espaço vai assumindo.


Assim as coisas são ditas,

Nas entrelinhas em rimas.

Sem as tornarem suspeitas,

Nas direções que se rumas.


Ainda que as vezes as palavras,

Parecem perdidas antes e depois.

Mas as virgulas situam as rimas,

No sentindo que só se ver depois.


Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.




segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Bem devagar

 

Tudo bem devagar,

O coração bate no peito.

Quase quer parar,

Ai já não tem mais jeito.

 

Nesta vontade de amar,

Neste lindo trejeito.

Nesta loucura a chamar,

No grito, eu ajeito.

 

Fico calado a olhar,

A menina sair.

Brincando a rodar,

No tempo a sumir.

 

Ai espero a lua chegar,

Para ver aquela estrela sorrir.

Logo vem me abraçar,

O sono a me fazer aqui dormir.

 

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Chuva de primavera

 

Óoh chuvinha que vem umedecer a primava...

Lavando das folhas das árvores a ilusão,

E o peso da poeira que se acumulou no verão.

 

Aliviando as dores das paixões que não se viveu...

E os ipês com os seus coloridos forram o chão

Dando aos poetas alimento a sua inspiração.

 

Óoh frescor do nevoeiro embaçado deste amanhecer...

Lubrifica o solo nesta lenta solidez da sua petrificação,

Deixando aos amantes no momento a nostálgica emoção.

 

Trazendo a aflorar nas flores os seus atraentes perfumes.

Exalando no ar a matéria prima da prazerosa sensação,

Combinando compassadamente o tum tum do coração.

 

Autor: Joabe Tavares de Souza - Joabe o Poeta.



segunda-feira, 3 de agosto de 2020

A pena

A pena com a qual te escrevo,

Que deste peito sente pena.

Pena deste teu eu fiel escravo,

Que te declama em pena.

 

A pena que o tempo nos traz,

Nas raivas que sinto com pena.

Pena de, não conseguir ser sagaz,

Na trágica loucura de sentir pena.

 

A pena que dar pena,

Na pena de descrever.

A dor que causa pena.

Nesta pena de perder.

 

A pena que sufoca o meu peito,

De um amor que não teve pena.

Agora de tanto penar eu rejeito,

Para não me ferir com sua pena.

 

A pena com o seu trejeito,

Desliza na linha da pena.

A pena caminha sem jeito,

Evidencia a palavra pena.

 

A pena que molho no tinteiro,

Escrevo com a mesma pena.

A pena que o faz por inteiro,

Este meu poema sem pena.

 

A pena que eu não quero sentir,

Daquilo que só provoca pena.

A pena que acabo de descobrir,

De nada nem se quer ter pena.

 

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 27 de julho de 2020

A ti


Quero para ti,
Só o seu bem.
Quero para ti,
Tudo de bem.

Dou para ti,
O que tenho.
Dou para ti,
Meu carinho.

Faço para ti,
O que me pedir.
Faço para ti,
O que lhe servir.

Desejo a ti,
Todo o amor.
Desejo a ti,
Tudo em flor.

Falo para ti,
Que a quero.
Falo para ti,
Que a espero.

Serei para ti,
O meu melhor.
Serei para ti,
O seu protetor.

Tudo para ti,
Será pouco.
Tudo para ti,
Será louco.

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 20 de julho de 2020

Efeito


O mundo não é feito de algodão,
A roda gira para onde há direção.
O pássaro não conhece o alçapão,
Por isso é pego na vil traição.

A humanidade vive de paixão,
Diz ter a sonhada compaixão.
Mas o ego é mais que a razão,
Tudo vai indo na sua contramão.

O existir não é uma caixa de papelão,
Nem assim se trata um coração.
Nada faz sentido quebrado no chão,
Fruto da insolente ingratidão.

A vida não é um carrinho de mão,
Que anda de empurrão em empurrão.
Ela é muito mais que a imensidão,
No respeito e na voraz compreensão.

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 13 de julho de 2020

Enganos e desenganos


Nestes enganos e desenganos,
Onde o meu ser se faz profano.
De desenganos em enganos.

Nestes desenganos e enganos,
Onde me vejo assim tão pequeno.
De profano em profano.

Nestes enganos e desenganos,
Onde não passo de um fulano.
De desenganos em enganos.

Nestes desenganos e enganos,
Onde não passo de um bichano.
De fulano em fulano.

Nestes enganos e desenganos,
Onde levo uma vida de cigano.
De enganos em desenganos.

Nestes desenganos e enganos,
Onde jamais serei um tirano.
De cigano em cigano.

Nestes enganos e desenganos,
Onde não passa de um alucino.
De desenganos em enganos.

Neste desenganos e enganos,
Onde só se ver grande afano.
De tirano em tirano.

Nestes enganos e desenganos,
Onde me verem como um lusitano.
De enganos em desenganos.

Nestes desenganos e enganos,
Onde pode-se ser um insano.
De alucino em alucino.

Nestes enganos e desenganos,
Onde só pode ser um ufano.
De desenganos em enganos.

Nestes desenganos e enganos,
Onde se parece ser um troiano.
De insano em insano.

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.



segunda-feira, 6 de julho de 2020

Naquela hora


Naquela hora,
Nossos olhares se uniram.
Naquela hora,
Nossos desejos se fundiram.

Naquela hora,
No Céu as estrelas festejantes se fizeram.
Naquela hora,
No lençol em prazer os suores pingaram.

Naquela hora,
Nós descobrimos a porta para o paraíso.
Naquela hora,
Nós tivermos tudo o que nos fosse preciso.

Naquela hora,
Tudo entre nós se fez belo e perfeito.
Naquela hora,
Tudo foi muito mais que rarefeito.

Naquela hora,
A noite se fez longa e envolvente.
Naquela hora,
A cama se fez húmida e quente.

Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.