quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Na diferença, procurando contribuir à construção da inclusão!





            Acabo de completar 38 anos. Desse tempo já vivido, apenas 17 não constam na minha trajetória na educação formal. Minha história educacional, de fato, inicia-se na Educação Especializada para pessoas com deficiência, o que se deu na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE -, de Rondonópolis, estado de Mato Grosso. Ali, recebido inicialmente como “paciente”, dei meus primeiros passos no sentido de me desenvolver intelectualmente.
            Desde o início, de alguma forma, eu já sabia que estava trilhando um caminho de superação. Um grande desafio que enfrentei – como um poeta que vive o amor na sua essência – foi o de lidar com o diferente (fisicamente falando) e com a indiferença dos ditos “normais”, adaptando-me a cada desafio proposto. De certa forma, foi uma escolha minha.
            Deixei as inseguranças baterem à minha porta e, com muita força e com muita garra, sobressaí-me, sabiamente, na relação  com cada um dos desafios enfrentados. Quando um desafio estava quase vencido, eu elegia outro: foi assim no Ensino Fundamental e Médio. No Ensino Superior não foi diferente. Agora estou caminhando rumo a um novo desafio: a pós-graduação.
            Mas o meu maior desafio ainda, é enfrentar, no meu dia a dia, a falta de conhecimento, por parte da maioria das pessoas, do que é ser um “ser humano diferente”, pois, a meu ver, muitas delas insistem em pensar e agir de forma notadamente preconceituosa, discriminadora ou então, indiferente, em relação às pessoas com deficiência.
Vivemos em uma sociedade em que o individualismo é muito presente; em que o tempo é muito “valioso” e “veloz”; em que a competitividade limita as relações e a impaciência de ouvir o outro é, acentuadamente, visível, o que cria, portanto, um distanciamento entre um indivíduo e outro, sobretudo se um deles for limitado, de alguma forma, e o outro não.
Nesse contexto, acontece algo interessante comigo: a capacidade de me “adaptar” às regras do jogo para estabelecer um convívio social melhor, sentindo-me mais aceito e também sendo capaz de compreender e aceitar o “outro”, o que é diferente de mim.
Dessa forma, acredito que contribuo para que a inclusão de pessoas deficientes, na sociedade, de um modo geral, seja real, construída nas relações cotidianas, por meio das quais busco aceitação e também procuro “aceitar” o outro. Assim, creio que a inclusão social passa a ter uma nova qualidade: ela vai sendo construída e deixa de ser meramente propagandística – uma propaganda que veicula um discurso politicamente correto sobre o direito à igualdade dos grupos marginalizados, quando efetivamente se vive a uma grande distância de sua concretização!
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Autor: Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta.
Digitado por: Leonardo Nascimento.
Corrigido por: Maria Elsa Markus.