quarta-feira, 6 de abril de 2011

INCERTEZAS

Ainda que tirem-nos o desejo
Que a força coincidiu
Aos que a vida com veemência pariu
Tenho eu a mesma sorte?
Nascer é fado pesado
Que vai do amor à morte.
O espelho da vida quebrado
Que mão ousada será essa?
Tudo que tenho é incerto
O mundo é covardia:
Cerceia os sonhos, perpetua agonia.
Os dias se vão, ficam-se os vãos
As noites marcam nas taças o que se brinda
Mãos e bocas unem-se, o sexo finda
A volúpia cede a sede que se sacia
Acendem-se os cigarros, ficam-se as cinzas.
A alma fere-se em nãos, os sonhos esvaem-se
A casca do relógio apodrece as horas
No tempo permanece o que nos corpos tilinta-se
Nonde findará não se sabe...

Joabe Tavares de Souza – Joabe o Poeta e Leonardo Nascimento.